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O Regime das Adesões e Traições (I)

O jogo sujo de alguns líderes políticos de submeterem o apoio de seus partidos a um futuro governo Temer, ao controle dessa ou daquela pasta, pode levar esse futuro “governo provisório” a um final fatídico. No campo das expectativas o seu fracasso pode gerar decepções maiores às percebidas no último governo Dilma; isso porque embora as promessas de campanha de Dilma fossem falsas e irrealistas, Temer é visto como alguém mais centrado, equilibrado e ciente do que pode e deve ser feito para encaminhar o Brasil até 2018 com um controle maior sobre as contas públicas, os gastos, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma capacidade maior de atrair investimentos estrangeiros, uma melhor relação interpessoal com o legislativo e o judiciário, dentre outros benefícios. Assim, dele se espera muito, ainda que não admitamos em público.

Contudo, a cobrança sobre Temer não será maior só por isso. O PT, o PC do B, o PSOL, a REDE e o PDT farão oposição pela oposição, porque estão mais interessados nos próximos pleitos do que em ajudar o Brasil. Ademais, partidos como PT e PC do B costumam exercer oposição mais destrutiva do que construtiva. O histórico do PT em votações importantes para o Brasil, na época de quando era oposição demonstra substancialmente isso.

Temer levantará o cajado e guiará o país nessa nova travessia, junto com o povo e um ministério de notáveis? Ou vai se acovardar e ceder às pressões mesquinhas de partidos oportunistas? Já sabemos aonde levará um caminho e o outro. O Brasil precisa de quadros técnicos, não de políticos que querem ficar na vitrine dos ministérios para se autopromoverem, e quiçá se apoderarem de ministérios, ou de diretorias de Bancos cujas quantias de dinheiro movimentadas são astronômicas.

Esperamos que a análise de alguns cientistas políticos e jornalistas estejam enganadas, e que Temer não esteja pensando em se render; fala-se que até alguns dos notáveis escolhidos pessoalmente por Temer para assumir pastas estratégias estejam desistindo, por conta de terem que, num futuro próximo, sentarem à mesa com quadros políticos desqualificados. Muitos desses quadros, inclusive, citados na “operação Lava Jato”. A transparência já começa por aí, para que inserir nesse governo de transição figuras sob suspeição? E se essas tiverem que deixar o governo tão logo ele comece?

Como, enfim, sair dos 31 ministérios para 20?  Fica evidente que muitas das vezes os políticos se tornam reféns de suas próprias leis. Esse presidencialismo de coalisão é um dilema institucional que prejudica a República. O país já tem 35 partidos registrados no TSE, vamos esperar chegar em 100? O Brasil precisa de uma reforma política urgentemente. Sem ela os ratos se multiplicarão e não haverá queijos para todos. É preciso dar um basta nisso.

A sociedade organizada precisa assumir seu papel e convocar o povo a cobrar por reformas estruturais significativas, talvez a solução seja de fato ultrapassar esse obstáculo chamado presidencialismo de coalizão e experimentarmos uma república parlamentarista. Se é verdade que o parlamentarismo tem causado problemas em alguns países, muito mais o presidencialismo aqui. Como bem escreveu Medeiros e Albuquerque, o regime presidencial é o regime das adesões e traições. 

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