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Pragmatismo político e alienação coletiva

Que a política brasileira é pragmática, nenhum analista especializado tem dúvida. Uma prova desse pragmatismo é o loteamento que se faz dos ministérios em Brasília. Poder-se-ia analisar essa prática sob o aspecto da causa social desse costume. 

A política brasileira é refém de um pacto simbólico forjado no estabelecimento e manutenção das instituições políticas brasileiras que perpetuam esse sistema e o poder nas mãos de poucos. Esse poder, evidentemente, não é só simbólico é-o também real, porquanto está inserido no quotidiano dos indivíduos, e exerce uma força coercitiva sobre a sociedade, de maneira que todos o aceitam passivamente e, por vezes, o reproduz ajudando a construí-lo.

Essa passividade se dá pela ausência de engajamento, de comprometimento. Por outro lado, não seria correto afirmar que essa inércia é consciente ou consensual entre a população em geral. O indivíduo adentra à sociedade e já encontra um esquema de pensamento e de práticas formulado pela elite nacional, pronto, no qual ele se vê inserido e subjugado. Não seria difícil compreender porque é tão trabalhoso ao cidadão comum repensar sua forma de atuar, ou atuar criticamente em sociedade.

A realidade, pois, do indivíduo em sociedade é uma realidade alienada, suas decisões não são oriundas de uma consciência livre, crítica, autônoma.

Assim, a realidade é socialmente edificada, a mudança se faz com a ressocialização, além disso, não é trabalho de um homem só. Uma nova sociedade se faz com dissidentes e divergentes organizados para um determinado fim. O pragmatismo continuará existindo na política brasileira, enquanto todos forem omissos e desinformados.

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