Pular para o conteúdo principal

Pragmatismo político e alienação coletiva

Que a política brasileira é pragmática, nenhum analista especializado tem dúvida. Uma prova desse pragmatismo é o loteamento que se faz dos ministérios em Brasília. Poder-se-ia analisar essa prática sob o aspecto da causa social desse costume. 

A política brasileira é refém de um pacto simbólico forjado no estabelecimento e manutenção das instituições políticas brasileiras que perpetuam esse sistema e o poder nas mãos de poucos. Esse poder, evidentemente, não é só simbólico é-o também real, porquanto está inserido no quotidiano dos indivíduos, e exerce uma força coercitiva sobre a sociedade, de maneira que todos o aceitam passivamente e, por vezes, o reproduz ajudando a construí-lo.

Essa passividade se dá pela ausência de engajamento, de comprometimento. Por outro lado, não seria correto afirmar que essa inércia é consciente ou consensual entre a população em geral. O indivíduo adentra à sociedade e já encontra um esquema de pensamento e de práticas formulado pela elite nacional, pronto, no qual ele se vê inserido e subjugado. Não seria difícil compreender porque é tão trabalhoso ao cidadão comum repensar sua forma de atuar, ou atuar criticamente em sociedade.

A realidade, pois, do indivíduo em sociedade é uma realidade alienada, suas decisões não são oriundas de uma consciência livre, crítica, autônoma.

Assim, a realidade é socialmente edificada, a mudança se faz com a ressocialização, além disso, não é trabalho de um homem só. Uma nova sociedade se faz com dissidentes e divergentes organizados para um determinado fim. O pragmatismo continuará existindo na política brasileira, enquanto todos forem omissos e desinformados.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Regime das Adesões e Traições (I)

O jogo sujo de alguns líderes políticos de submeterem o apoio de seus partidos a um futuro governo Temer, ao controle dessa ou daquela pasta, pode levar esse futuro “governo provisório” a um final fatídico. No campo das expectativas o seu fracasso pode gerar decepções maiores às percebidas no último governo Dilma; isso porque embora as promessas de campanha de Dilma fossem falsas e irrealistas, Temer é visto como alguém mais centrado, equilibrado e ciente do que pode e deve ser feito para encaminhar o Brasil até 2018 com um controle maior sobre as contas públicas, os gastos, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma capacidade maior de atrair investimentos estrangeiros, uma melhor relação interpessoal com o legislativo e o judiciário, dentre outros benefícios. Assim, dele se espera muito, ainda que não admitamos em público.

O Brasil lhe agradece, Felipão

O fato da Copa do Mundo de Futebol está sendo realizada no Brasil, provocou inúmeros questionamentos sobre sua relevância em nosso território. Os movimentos populares, ocorridos em várias partes do país, pelo “não vai ter copa” tentavam ecoar na mente e nos corações, proposições sobre a importância de se aplicar em outras demandas os bilhões de reais gastos com a Copa da FIFA 2014, além de chamar à atenção para o que foi deixado de ganhar pela isenção de tributação à FIFA.

Escalpelamento: uma tragédia aununciada

A região norte, sobretudo a área ribeirinha, guarda contornos sociais, políticos e culturais que chocam as pessoas de bem, e limitam a capacidade de agir. O mesmo se poderia dizer de outras áreas da federação, sim, talvez, como o nordeste por exemplo. No mês passado, em 28 de agosto, se comemorou o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.  
Não houve festas, pelo menos para as vítimas desse infortúnio. Desde 2007 que tramita na Câmara dos Deputados federal algum tipo de projeto, indicação ou ementa versando sobre o assunto, porém, timidamente, somente dois foram transformados em Lei: PL 1531/2007 e PL 1883/2007. O primeiro, dois anos depois, tornou obrigatório o uso de proteção no motor e eixo das embarcações em todo território nacional, o segundo, três anos depois, instituiu o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.
Parece-me, pelo visto, que os deputados e senadores não perceberam a importância e a gravidade da causa. Debruçam sobre seus próprios interesse…