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O que somos nós? (II)

A ciência é prática: a história do animal começa na era geológica. Por que? Porque antes não havia rochas, e se não havia rochas não havia impressões, vestígios, marcas de um passado; não havia aonde fixar impressões. As rochas nasceram há 700 milhões de anos. Dizem. Uma coisa é a idade das rochas, outra, a idade do homem. A idade do homem está fixada mais ou menos em 70 milhões de anos. Naturalmente, como não poderia deixar de ser, as rochas antecedem o homem. Perdoem-me pela linguagem um tanto quanto pedagógica. Mas é necessário ser assim.

A divisão é mais ou menos a seguinte: era primária (geológica) - a cerca de 700 milhões de anos; era secundária - a cerca de 200 milhões de anos; era terciária – entre 2 e 200 milhões de anos; era quaternária – a cerca de 1 milhão de anos.

Após ler os três tomos da coleção A Origem das Espécies de Charles Darwin, cheguei a uma conclusão infeliz: nunca havia lido um livro com tantos pedidos de desculpas, como este. Darwin inicia o livro pedindo desculpas por não ter sido capaz de provar e demonstrar muitas das coisas que afirma, e assim vai até o fim do livro.

Um biólogo amigo, italiano, já havia afirmado a mim que A Origem das Espécies pouco me acrescentaria em termos de conhecimento. E perdoe-me os que pensam contrariamente, era verdade.

Bem, as pesquisas sobre a Era Terciária (entre 2 e 200 milhões de anos) nos ensinam basicamente o seguinte: O nosso ancestral mais antigo de que se tem notícia era vegetariano, com hábitos noturnos, morava em árvores, tinha rabo e focinho. Convencionalmente chamado de Prossímio.



A evolução da espécie e das nomenclaturas foi mais ou menos assim: 




A partir dos Primatas o rabo “cai” ou se “embuti” para os homínios - “nossa linhagem” - e continuam pendurados para os macacos antropoides. O símio (nomenclatura geral) passa a viver simultaneamente nas árvores e no chão. Portanto, passam a diversificar sua dieta. No alto comem vegetais e no baixo, carne. Embora os vegetarianos tenham o “espírito” mais polido, comparados com os carnívoros; os trejeitos e os hábitos dos símios a partir da sua vivência no chão e da sua mudança na dieta, passando a comer carne, ficaram mais delicados do que do seu ancestral que só vivia nas árvores. Dentre outras razões para isso, é a questão da postura de ficar de pé e de andar.

Os biólogos afirmam que o homem só difere 2,5 por cento do chipanzé (macaco sem rabo), e 10 por cento dos outros macacos, comparando a estrutura do DNA, o ácido desoxirribonucleico que constitui o núcleo celular, a cromatina e os cromossomos.

Bem, não se enganem, por mais que alguns sejam categóricos de afirmarem que a origem do homem tenha sido por um processo evolutivo de aminoácidos em alta fusão, dando origem às primeiras células vivas, capaz de se reproduzir e evoluir, ainda assim, a ciência não consegue comprovar. Foi mais fácil descartar a teoria do criacionismo por motivos “óbvios”. Sinceramente, hoje não me preocupo mais com a minha origem, e sim com a minha evolução.

Quando os paleontólogos, arqueólogos e outros cientistas tentam fazer um cruzamento entre as espécies encontradas, se deparam com uma grande dificuldade: na maioria dos casos não existe uma relação direta entre os achados. É como se pertencessem a um momento estanque, independente. Considerando que a corrente que prevalece vai contra essa ideia estanque da evolução, logo, são unânimes em afirmarem que todo o ser humano tem sua origem no mesmo símio. Mais tudo leva a crer que realmente esses símios façam parte de um único ancestral. Isso porque os primeiros foram encontrados na África, depois na Ásia e por último, Europa.

Com relação a comparação entre os símios, percebe-se também, que existiu uma evolução no mesmo local, comparando as várias espécies de um mesmo local. No caso de África e Ásia, percebe-se uma evolução mais lenta. No caso da Europa, ao contrário, as diferenças foram mais rápidas. Segundo os cientistas é possível verificar duas linhagens nítidas na Europa: a do homo sapiens e a do homem de Neandertal. Essa diferenciação nítida na Europa, talvez seja explicada pelos longos períodos de glaciação que a Europa viveu, e que não se estendeu para todos os continentes. Entenderam? Não? É o seguinte. Imaginem dois fósseis humanos que viveram em um mesmo local (da Europa), com um intervalo de 1 milhão de anos entre eles. Passados 500 anos da morte do último, ambos foram encontrados por cientistas. E esses chegaram a conclusão de que havia muitas diferenças entre eles (evolução "rápida", "acelerada", portanto). Ocorre, que essa ideia de aceleração não é bem assim. O fato é que o gelo, os períodos de glaciações no continente europeu conservou, no nosso exemplo, os dois fósseis; e como havia se passado 1 milhão de anos entre eles, dissemos que eles eram bem diferentes, e de fato o eram, e não poderia ser diferente. Ma somente foi possível chegarmos a esse raciocínio porque ambos estavam conservados. Já na África e Ásia, onde não ocorreu períodos longos de glaciação, para os dois exemplos de fósseis acima, não chegaríamos as mesmas conclusões, porque os fósseis não estariam conservados. Acharíamos que a (evolução foi lenta) pois consideraríamos os dois fósseis muito parecidos. Mas não é o caso, é que com o calor os desgastes, deterioração dos fósseis seria acelerado, diríamos que os fósseis são muito semelhantes, daí "evolução lenta". Mas é pura ilusão de óptica.   

Esse frio glacial além de conservar as ossadas para uma futura comparação, também obrigou o homem a vencer este clima rude. Tiveram que disputar as cavernas com ursos, leões e hienas. Aprimorar a inteligência e vencer os obstáculos.

Continuaremos na parte (III).

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