Pular para o conteúdo principal

Liberdade de imprensa (I)

A liberdade da imprensa brasileira nas grandes coberturas jornalísticas, envolvendo casos de corrupção nos quadros políticos do Brasil, provoca uma indagação: essa liberdade existe ou é apenas aparente?  

Do ponto de vista dialético, a liberdade de imprensa existe. Ou seja, na medida em que exista a possibilidade de tornar o “fato” político – público, e, as versões confrontadas. Contudo, é possível constatar que nas grandes matérias envolvendo corrupção, a grande mídia só divulgou as notícias depois que ocorreu o “furo de reportagem” por parte de um único veículo de comunicação.

Cumpre se perguntar se nesse esforço dialético há de fato uma preocupação na manutenção da imparcialidade e na persecução da investigação das denúncias publicadas, ou seja, divulgar as matérias sem a intenção de alienar as massas, com o objetivo de desinformar, ao invés de informar. Se a mídia se posicionasse nesse quadro com imparcialidade, tratar-se-ia de uma mídia independente, com liberdade e transparência.

Abre-se agora, uma janela para um campo da vida da imprensa, que significa um liame, um vínculo, que se coloca entre a necessidade e a suficiência. A saber: a independência da imprensa.

A imprensa é uma concessão que subsiste, principalmente, da venda de espaço da sua grade de programação a terceiros interessados. Os maiores clientes dos veículos de comunicação são os governos, federal, estadual e municipal. Logo, os políticos. Sabe-se, inclusive, que as propagandas dos governos não são veiculadas na mesma proporção em todas as emissoras.

Assim, a existência de uma imprensa livre, ainda é muito mais um desejo do que uma realidade. Está-se muito mais diante de um jornalismo dialético na forma do que no objetivo e resultado. O caldo ideológico da narrativa dos fatos ainda permeia e contamina o nosso jornalismo. Logo, está-se bem mais próximo de uma liberdade aparente.  


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Escalpelamento: uma tragédia aununciada

A região norte, sobretudo a área ribeirinha, guarda contornos sociais, políticos e culturais que chocam as pessoas de bem, e limitam a capacidade de agir. O mesmo se poderia dizer de outras áreas da federação, sim, talvez, como o nordeste por exemplo. No mês passado, em 28 de agosto, se comemorou o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.  
Não houve festas, pelo menos para as vítimas desse infortúnio. Desde 2007 que tramita na Câmara dos Deputados federal algum tipo de projeto, indicação ou ementa versando sobre o assunto, porém, timidamente, somente dois foram transformados em Lei: PL 1531/2007 e PL 1883/2007. O primeiro, dois anos depois, tornou obrigatório o uso de proteção no motor e eixo das embarcações em todo território nacional, o segundo, três anos depois, instituiu o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.
Parece-me, pelo visto, que os deputados e senadores não perceberam a importância e a gravidade da causa. Debruçam sobre seus próprios interesse…

O Regime das Adesões e Traições (I)

O jogo sujo de alguns líderes políticos de submeterem o apoio de seus partidos a um futuro governo Temer, ao controle dessa ou daquela pasta, pode levar esse futuro “governo provisório” a um final fatídico. No campo das expectativas o seu fracasso pode gerar decepções maiores às percebidas no último governo Dilma; isso porque embora as promessas de campanha de Dilma fossem falsas e irrealistas, Temer é visto como alguém mais centrado, equilibrado e ciente do que pode e deve ser feito para encaminhar o Brasil até 2018 com um controle maior sobre as contas públicas, os gastos, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma capacidade maior de atrair investimentos estrangeiros, uma melhor relação interpessoal com o legislativo e o judiciário, dentre outros benefícios. Assim, dele se espera muito, ainda que não admitamos em público.

O Brasil lhe agradece, Felipão

O fato da Copa do Mundo de Futebol está sendo realizada no Brasil, provocou inúmeros questionamentos sobre sua relevância em nosso território. Os movimentos populares, ocorridos em várias partes do país, pelo “não vai ter copa” tentavam ecoar na mente e nos corações, proposições sobre a importância de se aplicar em outras demandas os bilhões de reais gastos com a Copa da FIFA 2014, além de chamar à atenção para o que foi deixado de ganhar pela isenção de tributação à FIFA.