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Liberdade de imprensa (I)

A liberdade da imprensa brasileira nas grandes coberturas jornalísticas, envolvendo casos de corrupção nos quadros políticos do Brasil, provoca uma indagação: essa liberdade existe ou é apenas aparente?  

Do ponto de vista dialético, a liberdade de imprensa existe. Ou seja, na medida em que exista a possibilidade de tornar o “fato” político – público, e, as versões confrontadas. Contudo, é possível constatar que nas grandes matérias envolvendo corrupção, a grande mídia só divulgou as notícias depois que ocorreu o “furo de reportagem” por parte de um único veículo de comunicação.

Cumpre se perguntar se nesse esforço dialético há de fato uma preocupação na manutenção da imparcialidade e na persecução da investigação das denúncias publicadas, ou seja, divulgar as matérias sem a intenção de alienar as massas, com o objetivo de desinformar, ao invés de informar. Se a mídia se posicionasse nesse quadro com imparcialidade, tratar-se-ia de uma mídia independente, com liberdade e transparência.

Abre-se agora, uma janela para um campo da vida da imprensa, que significa um liame, um vínculo, que se coloca entre a necessidade e a suficiência. A saber: a independência da imprensa.

A imprensa é uma concessão que subsiste, principalmente, da venda de espaço da sua grade de programação a terceiros interessados. Os maiores clientes dos veículos de comunicação são os governos, federal, estadual e municipal. Logo, os políticos. Sabe-se, inclusive, que as propagandas dos governos não são veiculadas na mesma proporção em todas as emissoras.

Assim, a existência de uma imprensa livre, ainda é muito mais um desejo do que uma realidade. Está-se muito mais diante de um jornalismo dialético na forma do que no objetivo e resultado. O caldo ideológico da narrativa dos fatos ainda permeia e contamina o nosso jornalismo. Logo, está-se bem mais próximo de uma liberdade aparente.  


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