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1993: o ano que não terminou

Em 21 de abril deste ano fez 20 anos do plebiscito sobre a forma e o sistema de governo que o Brasil adotaria. Era 1993, o Brasil estava há cinco anos sem a ditadura e precisava escolher um novo rumo. Os eleitores escolheram a forma republicana, com 66% dos votos e o sistema presidencialista, com 55% dos votos. O Brasil acertou na escolha? 

Como dissemos anteriormente, o Brasil estava há cinco anos sem ditadura, na constituição de 1988 foi colocada uma emenda que determinava a realização de um plebiscito no qual os eleitores iriam decidir se queriam ser governados por um monarca, por um presidente ou por um primeiro ministro. O cenário era de incertezas, a economia vivia dias tumultuados, inflação alta, crescimento econômico tímido, e o presidente da república Fernando Collor de Mello tinha sofrido impeachment. Olhando friamente para àquela época poderíamos supor que o Brasil tinha tudo para não escolher o presidencialismo, afinal, seu presidente acabava de sofrer impeachment. Poder-se-ia até pensar numa republica parlamentarista, mas presidencialista? Poderemos em outra ocasião tentar compreender o porquê desta escolha por parte do povo brasileiro. Mas o que nos interessa agora é verificar os efeitos dessa decisão. 

De fato foi uma decisão importante e que deixou marcas significativas no País que temos hoje. O Brasil mudou muito e avançou para um lugar de mais destaque no cenário, tanto internacional como nacional. Evidentemente que o país ganhou projeção internacional depois que tomou uma série de atitudes que permitiram que a economia brasileira fosse menos instável e mais segura para a classe produtiva e de investidores. Essa mudança iniciou, praticamente, no governo FHC, com o controle da inflação e as privatizações que ocorreram em seu governo. Em seguida veio o Governo Lula com os programas de redistribuição de renda; os programas de expansão da educação de nível superior pelo PROUNI, construções de mais universidades federais; ainda nessa linha de investimento na educação veio a ampliação da oferta de bolsas de estudos de pesquisa através das instituições de fomento estadual e federal. Mais brasileiros aumentaram suas rendas e saltaram de classes sociais menos favorecidas para uma posição mais digna na sociedade. Recentemente elegemos a primeira presidente do Brasil. Presenciamos a diminuição das taxas de juro, que possibilitou a captação de empréstimos a juro mais baixo pela classe produtiva, bem como por pessoa física. 

Se o Brasil acertou na escolha que fez em 1993, de continuar numa republica presidencialista, ainda não sabemos. Precisaríamos experimentar uma republica parlamentarista para saber a diferença. O fato é que houve avanços. Por uma perspectiva histórica é possível afirmar que o Brasil progrediu em muitas áreas. Isso é uma realidade. Contudo, falta avançar numa reforma política, no controle dos gastos, no combate à corrupção, investir na infraestrutura regional, agilizar os serviços do judiciário, dentre outros investimentos. A mudança enfrentada pelo povo brasileiro em 1993, ainda continua, só que agora sob novas perspectivas. De fato, o ano de 1993 ainda não terminou.

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