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Mostrando postagens de Setembro, 2013

Celso de Mello entre o dilema Quarta-feira de cinzas e Páscoa

Bem que a quarta-feira próxima, dezoito de setembro de dois mil e treze, poder-se-ia se transformar numa antecipação simbólica da quarta-feira de cinzas do calendário judaico-cristão, dia inaugural da quaresma. Período de forte simbolismo, em que a maioria dos cristãos do ocidente e da comunidade judaica ficam reflexivos, e a lembrarem da saída do povo de Israel do Egito rumo à Canaã, após quarenta anos de prisão. 
É, pois, um dia de lembrança da condição de mortal e das próprias limitações. Um tempo de reexame de nossas ações, de lamento e de renovadas esperanças. É por isso que os católicos recebem as cinzas na testa. É por isso que muitos relatos bíblicos fazem menção a personagens que na hora da tristeza e do lamento lançaram cinzas sob a própria cabeça, em sinal de arrependimento e de reconhecimento da condição de diminuto valor. Sem esse ritual da quaresma não se pode entrar à Páscoa cristã, ou ao Pessach judaico. Ou seja, vivenciarem o êxodoOs quarenta anos no Egito foram quesit…

O que somos nós? (II)

A ciência é prática: a história do animal começa na era geológica. Por que? Porque antes não havia rochas, e se não havia rochas não havia impressões, vestígios, marcas de um passado; não havia aonde fixar impressões. As rochas nasceram há 700 milhões de anos. Dizem. Uma coisa é a idade das rochas, outra, a idade do homem. A idade do homem está fixada mais ou menos em 70 milhões de anos. Naturalmente, como não poderia deixar de ser, as rochas antecedem o homem. Perdoem-me pela linguagem um tanto quanto pedagógica. Mas é necessário ser assim.
A divisão é mais ou menos a seguinte: era primária (geológica) - a cerca de 700 milhões de anos; era secundária - a cerca de 200 milhões de anos; era terciária – entre 2 e 200 milhões de anos; era quaternária – a cerca de 1 milhão de anos.
Após ler os três tomos da coleção A Origem das Espécies de Charles Darwin, cheguei a uma conclusão infeliz: nunca havia lido um livro com tantos pedidos de desculpas, como este. Darwin inicia o livro pedindo desc…

O que somos nós? (I)

Há alguns anos, o humorista brasileiro Chico Anysio fez um comercial de televisão, não me lembro para qual produto, no qual ele iniciava o anúncio bem velhinho e terminava um bebezinho de colo. Moral da história do anuncio: o ser humano deveria nascer velho e ir tornando-se criança com o passar dos anos. Porque dessa forma haveria uma evolução do corpo e do espírito. No sentido da inocência, não do amadurecimento.

H. Weinert, em L’Ascension Intellectuelle de I’Humanité, afirmou, quanto à origem do homem, que sua origem ocorreu na obscuridade bestial primitiva e, que o progresso do corpo e da alma ocorreu concomitantemente. Que o homem não teve uma criação brusca, pronta. Nitidamente estamos diante de um confronto de ideias; de um dilema: a teoria de um passado límpido e um futuro maculado e, a teoria de Weinert de um passado bestial e um futuro glorioso, evolutivo. É evidente que a moral do anuncio falava de um futuro infantil e Weinert estava falando de um passado quanto à própria exi…