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O Regime das Adesões e Traições (I)

O jogo sujo de alguns líderes políticos de submeterem o apoio de seus partidos a um futuro governo Temer, ao controle dessa ou daquela pasta, pode levar esse futuro “governo provisório” a um final fatídico. No campo das expectativas o seu fracasso pode gerar decepções maiores às percebidas no último governo Dilma; isso porque embora as promessas de campanha de Dilma fossem falsas e irrealistas, Temer é visto como alguém mais centrado, equilibrado e ciente do que pode e deve ser feito para encaminhar o Brasil até 2018 com um controle maior sobre as contas públicas, os gastos, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma capacidade maior de atrair investimentos estrangeiros, uma melhor relação interpessoal com o legislativo e o judiciário, dentre outros benefícios. Assim, dele se espera muito, ainda que não admitamos em público.

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O Brasil lhe agradece, Felipão

O fato da Copa do Mundo de Futebol está sendo realizada no Brasil, provocou inúmeros questionamentos sobre sua relevância em nosso território. Os movimentos populares, ocorridos em várias partes do país, pelo “não vai ter copa” tentavam ecoar na mente e nos corações, proposições sobre a importância de se aplicar em outras demandas os bilhões de reais gastos com a Copa da FIFA 2014, além de chamar à atenção para o que foi deixado de ganhar pela isenção de tributação à FIFA.

Militância Juvenil: a caminho do quê?

Durante o curso de graduação em História, no Rio de Janeiro, as aulas quase sempre eram interrompidas por colegas que integravam o DCE (Diretório Central de Estudantes). A eleição para presidente do mesmo era disputadíssima, geralmente seu presidente era o braço e a voz da esquerda e dos comunistas dentro da faculdade. Ou seja, seus integrantes eram ligados aos partidos da esquerda mais radical ou aos comunistas. Na maioria, do PT e do PCdoB, depois alguns migraram para o PSOL. O catedrático da cadeira de História Moderna, inclusive, foi quem passou a lista solicitando assinaturas para ajudar fundar o PSOL, depois de se dizer decepcionado com o Partido dos Trabalhadores. Com todo respeito que lhe devo, mas, foi um otário.

A televisão brasileira virou ganha-pão para irrelevantes personagens

Há sentenças que ouvimos uma única vez, e jamais as esquecemos, não importa há quanto tempo, nem quem as tenha dito - sejam quando provocam impressão positiva, sejam quando provocam impressão negativa. Numa assentada lembro-me de três: Uma da jornalista Fátima Bernardes, da TV Globo, quando cedia uma entrevista ao também jornalista Alberto Dines, da TV Cultura, na ocasião da exibição de uma edição do programa Observatório da Imprensa. 

Celso de Mello entre o dilema Quarta-feira de cinzas e Páscoa

Bem que a quarta-feira próxima, dezoito de setembro de dois mil e treze, poder-se-ia se transformar numa antecipação simbólica da quarta-feira de cinzas do calendário judaico-cristão, dia inaugural da quaresma. Período de forte simbolismo, em que a maioria dos cristãos do ocidente e da comunidade judaica ficam reflexivos, e a lembrarem da saída do povo de Israel do Egito rumo à Canaã, após quarenta anos de prisão. 
É, pois, um dia de lembrança da condição de mortal e das próprias limitações. Um tempo de reexame de nossas ações, de lamento e de renovadas esperanças. É por isso que os católicos recebem as cinzas na testa. É por isso que muitos relatos bíblicos fazem menção a personagens que na hora da tristeza e do lamento lançaram cinzas sob a própria cabeça, em sinal de arrependimento e de reconhecimento da condição de diminuto valor. Sem esse ritual da quaresma não se pode entrar à Páscoa cristã, ou ao Pessach judaico. Ou seja, vivenciarem o êxodoOs quarenta anos no Egito foram quesit…

O que somos nós? (II)

A ciência é prática: a história do animal começa na era geológica. Por que? Porque antes não havia rochas, e se não havia rochas não havia impressões, vestígios, marcas de um passado; não havia aonde fixar impressões. As rochas nasceram há 700 milhões de anos. Dizem. Uma coisa é a idade das rochas, outra, a idade do homem. A idade do homem está fixada mais ou menos em 70 milhões de anos. Naturalmente, como não poderia deixar de ser, as rochas antecedem o homem. Perdoem-me pela linguagem um tanto quanto pedagógica. Mas é necessário ser assim.
A divisão é mais ou menos a seguinte: era primária (geológica) - a cerca de 700 milhões de anos; era secundária - a cerca de 200 milhões de anos; era terciária – entre 2 e 200 milhões de anos; era quaternária – a cerca de 1 milhão de anos.
Após ler os três tomos da coleção A Origem das Espécies de Charles Darwin, cheguei a uma conclusão infeliz: nunca havia lido um livro com tantos pedidos de desculpas, como este. Darwin inicia o livro pedindo desc…

O que somos nós? (I)

Há alguns anos, o humorista brasileiro Chico Anysio fez um comercial de televisão, não me lembro para qual produto, no qual ele iniciava o anúncio bem velhinho e terminava um bebezinho de colo. Moral da história do anuncio: o ser humano deveria nascer velho e ir tornando-se criança com o passar dos anos. Porque dessa forma haveria uma evolução do corpo e do espírito. No sentido da inocência, não do amadurecimento.

H. Weinert, em L’Ascension Intellectuelle de I’Humanité, afirmou, quanto à origem do homem, que sua origem ocorreu na obscuridade bestial primitiva e, que o progresso do corpo e da alma ocorreu concomitantemente. Que o homem não teve uma criação brusca, pronta. Nitidamente estamos diante de um confronto de ideias; de um dilema: a teoria de um passado límpido e um futuro maculado e, a teoria de Weinert de um passado bestial e um futuro glorioso, evolutivo. É evidente que a moral do anuncio falava de um futuro infantil e Weinert estava falando de um passado quanto à própria exi…